A Pulseira

Uma tarde de abril, logo após o almoço, meu marido me comunicou que queria me deixar. Fez isso enquanto tirávamos a mesa e as crianças ainda limpavam os restos de macarrão entre os dentes, enfiando os dedinhos gordos no fundo das bochechas. Aguardavam impacientes a sobremesa, uma brilhosa gelatina de creme de leite com morango que tremia molenga a cada puxão da toalha.

O doce já estava prestes a se desfazer, quando joguei os pratos na pia e bati com violência no tampo de madeira com a palma da mão. Segurei com firmeza o pano, quebrando a tensão do cabo de guerra que ameaçava sujar de vermelho o tecido alvíssimo que cobria a mesa. “Ninguém come mais sobremesa hoje!”

Com a surra que a minha mão levou do móvel, minha pulseira de ouro quebrou, estilhaçando pequenos pedaços reluzentes por todos os cantos da casa. Os pontos dourados iluminaram o ladrilho desbotado da cozinha, revelando o cheiro do azulejo fresco, recém-pintado com motivos florais, que Jacques, com seu rubi no dedo mindinho, havia me convencido a comprar. Era a última moda.

Ter um decorador que lhe diz como deixar a casa bonita era chique. Mesmo quando parecia um tanto excessivo. A mulher de um homem que ganha dez salários mínimos não pode ter uma sala sem cortinas de voal. Nem um banheiro sem uma pia de mármore e torneiras douradas. O sofá para a varanda, todo trançado em madeira, era algo que só deputado podia comprar. Ele me garantiu. Mas um homem que ganha dez salários mínimos pode dar um jeito. Foi assim com a pulseira de ouro.

Éramos namorados e eu achava que ele nunca pediria a minha mão. Confesso que pensei até em dar o golpe da barriga tão nervosa que estava com o meu aniversário de vinte e cinco anos se aproximando. Mas não foi preciso correr todo esse risco. Eu ganhei uma pulseira de ouro.

“Mas não é caro?”

“Não, eu agora trabalho em uma repartição” – ele explicou. Eu não sabia mensurar o quanto aquele presente era valioso e podia de fato selar um compromisso.

“Tem certeza?”

“Vale três meses de trabalho”, tentou simplificar.

“Mas isso não vai prejudicar as economias para o casamento?”

 “Um pouco.” – Só um pouco?

Nunca entendi porque uma pulseira e não um anel. Um anel com pedra era muito caro para um funcionário público concursado? Enquanto Jacques fazia todo tipo de malabarismo para comprar a prataria e o conjunto de louça de porcelana, indispensável para se ter o mínimo de dignidade, eu me afligia olhando para a tal pulseira de ouro.

“Jacques você acha que a minha pulseira é chique?”

“Meu bem, que tal a pintura das tulipas em azul?”

“Jacques, meu noivo me deu uma pulseira, você acha normal?”

“Deixa eu ver.” – ele segurou meu pulso e fez uma cara que parecia um bico de deboche, ou de nojo. “Em Copenhague é a última tendência”

“Onde fica isso?”

“Tá um arraso essa cozinha. Fiz um verdadeiro milagre com uma merreca!”

“Não tem flores demais?”

“Você não entende nada. Pulseira de ouro como essa. Fininha. É elegante. Relaxa que esse casamento vai sair garota.”

Na época, eu tinha outro pretende. O Sávio do andar de cima da pensão. Era louco por mim. Mas ele era estudante ainda. De medicina. Mas estudante. Ainda ia demorar uns bons quatro anos até poder casar. Era muito. Além disso, eu já estava andando com essa pulseira de ouro pra cima e pra baixo, se é que alguém podia entender o que isso significava. E tinha também as noites atrás da árvore retorcida, na calçada. Eu já tinha permitido mais que um sarro. Se eu não casasse, certeza que ia ficar falada. O tronco era fino demais. Não escondia nada.

As crianças de olhos arregalados, amedrontadas com o meu grito estridente, desistiram e saíram da mesa cabisbaixas. Fiquei arrependida, mas já era tarde demais. Voltar atrás era impossível.

“Mamãe, a gente pode brincar lá fora?”

“Pode. À noite eu sirvo a sobremesa.”

“Você ouviu o que eu disse?”

“Sim.”

“E aí?”

Percebi que um floco brilhoso da pulseira tinha voado em cima da escultura medonha do pirata, que ficava ao lado do vaso com a palmeira-leque escolhido por Jacques. Foi uma fase difícil. Após alguns anos de trabalho na repartição, o tédio deu lugar a aulas de escultura no fim do dia. Ele pensava que era um artista e fiquei várias noites sem dormir, imaginando que largaria o trabalho e que eu passaria fome com três filhos para criar.

Ele arrumou um professor para elogiar qualquer monstruosidade que esculpia em argila. Até que um dia beberam juntos muito uísquee a bajulação desproporcional ficou evidente. Ainda sim, ele cismou que o pirata tinha sido sua melhor obra e decidiu colocá-lo em nossa sala, bem na entrada. O que me fazia dar as explicações mais loucas, dependendo do convidado da vez.

“Ah, isso foi um presente do chefe dele, é meio esquisito, mas veio da Grécia, é muito chique.” Eu dizia em dias de festa. “Essa escultura foi uma caridade do meu marido. Tão generoso. Um amigo em dificuldades do escritório estava vendendo tudo.” Eu dizia para mamãe. “Isso? Ah é uma escultura que encontrei em uma loja de antiguidades. A dona disse que traz bons fluídos para a casa e afasta mau-olhado” Disse uma vez para uma vizinha fofoqueira.

Foi nessa época que a minha irmã mais nova casou. Com Sávio, o médico da pensão. Ela sim ganhou um anel de noivado e deu orgulho para a nossa mãe. De ouro branco, com uma safira muito azul, rodeada de pequenos diamantes. Ela veio aqui em casa só para me mostrar.

“É lindo, não acha?”

“Cafona. Hoje ninguém mais usa anel de noivado.”

“Quem te disse?”

“O Jacques”

“Esse veado não sabe de nada”

“Ele não vai decorar a sua casa?”

“Claro que não! Só você. Ridícula. Aceitar que uma bicha arrogante coloque uma escultura dessas bem no meio da casa.”

Eu fiquei alguns meses sem querer ver nem a minha irmã, nem a casa que ela estava preparando sozinha, só pesquisando em revistas da Casa Malu.

No dia da festa de casamento, meu marido decidiu achar o anel de safira lindo. Mesmo quando já estávamos em casa, ele não parava de falar no azul da pedra, se eu tinha gostado. “É lindo sim. A Marcinha teve muito sorte. Mamãe disse que…”. Ele encerrou o assunto, virou para o lado e dormiu.

“Pode ir embora. Eu me viro.”

“Só isso?”

“O que você quer? Que eu me mate? Que eu saia pelada, gritando pela rua? Que eu dê pro vizinho bêbado e depois fique com nojo de mim mesma? Que eu destrate os meus filhos? Pois hoje vou fazer o jantar mais gostoso que já preparei na vida. Estou muito bem. Pode ir embora.”

Ele sentou-se à mesa e pediu um pouco da sobremesa. Eu deixei. Fiquei observando como era belo seu bigode sujo de leite. Eu sorri. Ele sorriu de volta e se levantou apressado. Pegou a mala que já estava pronta no quarto. Deu duas borrifadas de perfume no pulso e colocou o resto em baixo das orelhas com o indicador. Ajeitou os cabelos com um pouco de pasta, me encarando pelo grande espelho do corredor.

As crianças entraram correndo e amassaram a risca do terno feita por mim no dia anterior. Ele não se zangou. Deu um beijo na testa de cada uma. Disse que iria embora por uns tempos. Que ficassem com a mamãe. Mas que voltava para vê-los. As crianças não entenderam muita coisa. Estavam acostumadas com a presença volátil do pai em casa. Continuaram a gritaria em direção ao quintal.

“Espera.”

“O quê?”

“Você deu um anel pra ela?”

“Pra quem?”

“Pra essa mulher que está te esperando.”

“De novo essa história, Susana? Que besteira!”

“Responde João Alberto! Você deu um anel para essa vadia?”

“Quer saber de uma coisa? Dei sim. E aí? É um costume besta. Mas tem muita coisa sem sentido nessa vida. A gente muda, né?”

“Claro. A gente muda. Qual foi a pedra?”

“Uma safira.”

“Tenho certeza que ela deve ter amado.”

Ele saiu com as têmporas já suadas e certa palidez no rosto. Soltou um pouco o nó da gravata. “Tá tudo bem?” Ele partiu sem responder. Pude perceber um suspiro de alívio quando entrou no fusca e deu a partida. Mas ainda pude ver pela janela o carro, a certa altura, desgovernado, batendo em frente à árvore retorcida que permanecia a mesma de quando éramos apenas crianças apaixonadas.

Esse conto foi escrito para o Desafio de Aquecimento da comunidade de escritores @carreira_literaria a partir das seguintes instruções:

Você deverá escrever um conto de no máximo 4 laudas (sendo 1 lauda = 2.000 caracteres com espaçamento), cujo começo deve ser o trecho abaixo:

“Uma tarde de abril, logo após o almoço, meu marido me comunicou que queria me deixar. Fez isso enquanto tirávamos a mesa (…)” [Abertura do livro “Dias de abandono”, Elena Ferrante]

Resultado do desafio

Thais Nunes

@thais.fnunes

Mariana Ximenes na Amazônia

Escutou a musiquinha do Jornal Nacional.

_Boa Noite — disse William Bonner.

_Boa Noite — respondeu, e logo pôs-se a colocar os pratos do jantar na mesa. Faltava pouco para o guisado estar pronto. Poderia acompanhar com tranquilidade a cobertura do impeachment da Dilma no Senado. O caldo engrossaria justamente durante aquela reportagem de abertura sobre crianças com sobrepeso no Brasil. Pegou todos os talheres, copos, travessas limpos, organizando-os em seus devido lugares. Será que a Clarinha tinha almoçado? Claro que sim! Foi justamente quando a Sandra Annenberg mostrava os níveis de desemprego no Brasil que Clara cuspiu o brócolis fora, praguejando contra seu chefe do escritório. Respirou aliviada, pois o guisado de legumes seria o suficiente para encerrar os anseios alimentares do dia.

Sentou-se a tempo de acompanhar a fala do senador Magno Malta. Pensou que ele parecia muito com Sidney Magal. Se vestisse camisas coloridas ficaria perfeito. “Quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar, quero ver o seu corpo dançar sem parar!” Imaginou Magno dançando e como seria engraçado uma palhaçada dessas naquele circo.

Todos falavam em corrupção, mas corrompido mesmo é Sílvio Santos. O Sílvio todos perdoam. Pegou o controle e zapeou para o SBT. O Sílvio perguntava a uma moça porque ela usava aquele vestido decotado. Um decote que recortava todo o corpo, dos seios às pernas. Ele dizia que aquilo era uma indecência e que o pai ou o marido dela eram uns idiotas de deixar ela usar aquela roupa. Ela se defendeu e disse que era roupa pra televisão. Olhou para si e seu vestido de estampa florida. Tinha um rasgão na barra e uma mancha de café na altura da cintura. Aquilo não era roupa pra televisão. Trocou de roupa para jantar.

_Mamãe, por que a senhora está tão arrumada?

_Quero estar bem para a novela das oito. A Camila Pitanga nem é assim tão bonita para o Santo.

_A senhora lavou meu uniforme de amanhã?

_Lavei sim. Enquanto a Ana Maria Braga estava falando com o Pe. Fábio de Melo, eu vi que tinha uma mancha de batom e caprichei no alvejante — filha você é tipo a Paola de Oliveira com a Maria Fernanda Cândido naquela série “Felizes pra sempre”?

_É mãe, é parecido com isso… — mas deixa a minha vida em paz e vai ver sua televisão.

Percebeu que aquela chatice do ranking do Campeonato Paulista já deixava o Bonner com aquele sorrisinho final. Precisava se apressar. Lavar toda a louça. Sabia que o Santo, o galã da Novela Velho Chico, tinha morrido ao nadar no Rio São Francisco. Quando o jornal terminou nem teve musiquinha, um silêncio, por isso ela quase perde o começo da novela. Santo morreu, mas ia casar com Tereza, como aquilo era possível?

Hoje é dia de Profissão Repórter. Estava curiosa para ver o drama das pessoas com câncer que não conseguiam atendimento em hospitais públicos. Mas o que realmente aguardava era finalmente poder ver a estreia de SuperMax. Tinha acompanhado tudo no VideoShow. Estava terminando de temperar a salada para servir fresquinha na mesa quando ouviu a música do Michael Jackson, tanratâ tanrantã tan tan tan. Mariana Ximenes e Cleo Pires falaram ao Otaviano Costa que seria um novo Big Brother, com Pedro Bial na Amazônia! Nossa! Aquilo seria incrível! Um reality no meio da floresta e com suas atrizes preferidas! Elas ainda iriam concorrer a um super prêmio em dinheiro. Mas ela já eram tão ricas… Deviam fazer aquilo pela fama e pela aventura, pensou.

Quando a estagiária do Caco Barcellos entrevistou uma senhora que fazia o papel de enfermeira do seu marido no hospital, ela chorou. Como pode uma coisa daquelas? Cadê os políticos desse país? Todos corruptos!! Lembrou de novo do Silvio Santos e zapeou para o SBT, mas antes parou no programa da Sabrina Sato. Aquela garota também era do Big Brother. Ela bem que poderia participar de SuperMax. Mas nenhum brother estava na nova série, só o Bial. Estranho. Zapeou mais um pouco e viu que Danilo Gentili estrevistava a Elke Maravilha. A Elke trabalhou com o Sílvio muitos anos e ele nunca falou da roupa dela. Mas a Elke usa roupa, maquiagem, sapatos e cabelo de televisão. Nunca tinha visto ninguém igual a Elke. Só estrela de televisão.

No café de fim de tarde, estava assistindo o Datena falando sobre um caso do cunhado da Ana Hickmann. Ele matou o fã em legítima defesa. Como pode alguém imaginar que vai ficar com uma estrela de televisão? Mas tem gente que é assim, se confunde com o que está na tela. Chega um lunático desse e sai querendo matar todo mundo. Isso é coisa de filme de ação. Teve tanto medo que foi certificar-se se tudo estava devidamente trancado. Não podia dar bobeira como a Ana Hickmann que quase parte dessa pra melhor.

Mas e SuperMax? Estava perdendo. Já devia ter começado! Já estava cansada de ver Tatá Werneck e Fábio Porchat se beijando. O que eles estavam pensando? Que vale tudo pela audiência? Ela não! Só assistia a programas e novelas de qualidade. Todos os dias acompanhava o Jornal Nacional, o melhor da televisão brasileira. Se mantinha informada pelo Facebook no seu smart. Sabia que a Sacha tinha virado modelo e que o Jean Willys tinha cuspido no deputado. Naquele deputado que quer estuprar mulheres. Um horror!

Mas onde estava o controle? Devia ter deixado cair debaixo do sofá. Só pode. Estava bem ali, na mesinha ao lado. Afastou o sofá já nervosa. Com certeza SuperMax já devia ter começado. O Bial já devia estar falando, e ela perder o controle assim? Era a última vez dele. Ela já tinha visto no instagram do Tiago Leifert. Ele era seu novo substituto. Procurou o objeto por toda a sala enquanto o Porchat batia na bunda da Gretchen. Aquela mulher não tinha morrido? Olhou debaixo do rack, da mesa de jantar. Tinha se levantado? Foi até o quarto, revirou lençóis, olhou debaixo da cama. Nada. Foi ao banheiro, olhou sobre a pia. Onde podia ter deixado esse controle?

Respirou fundo. Precisava ter calma. Podia estar na cozinha! Claro! Refez mentalmente seu percurso da cozinha. Quando a Sato começou uma entrevista com BelaGil ela tinha se levantado e ido tomar água. No copeiro não estava, mas podia estar dentro da geladeira. Óbvio! Quantas pessoas não esquecem até celular dentro da geladeira? Revirou frutas, legumes, travessas. Tirou tudo. Bebeu mais um copo d’água. Comeu um pedaço que restava do bolo de chocolate. Ela estava perdendo a estreia de Supermax enquanto a Tatá não parava de cantar com aquela voz terrivelmente desafinada.

Como poderia dormir sem assitir aquela estreia? O que seria da sua vida? Como poderia acompanhar a série sem ver o primeiro capítulo? Ele era essencial! Se o perdesse não teria mais como acompanhar SuperMax e estaria obrigada a zapear entre o Gentili ou talvez o novo programa do Porchat. Estava torcendo tanto pela Mariana Ximenes… Ela merecia ganhar o prêmio. Deve ser um sacrifico horrível ficar enclausurada no meio da amazônia com um monte de gente estranha, só não a Cléo Pires, elas deviam se conhecer.

Suas noites estavam fadadas ao fracasso. Poderia jogar cartas com sua filha? Assistir ao Sílvio Santos maltratando um traveco? Poderia até tentar ver Dez Mandamentos, mas da última vez que viu um extintor de incêndio na Antiguidade sentiu até náuseas de assistir àquela novela. Não. Precisava ver a estreia de SuperMax! Urgente! Era a única saída para o seu fim de noite. O desfecho perfeito depois de um dia repleto de Louro José, Fátima Bernades e Chocolate com Pimenta no Vale a Pena Ver de Novo.

Ela nem tinha Netflix. Talvez fosse a hora de finalmente adquirir sua conta e assistir aquele tal de Heisenberg. Parece que tinha até um tal de Narcos com o Wagner Moura. Não poderia ser assim tão ruim. Ele fez o Olavo Novaes em Paraíso Tropical. Foi ótimo! Mas, não! Sua vida já tinha um cronômetro e não seria nada fácil inserir o Netflix nela. Novela das seis, novela das sete, jornal nacional, uma zapeada aqui e ali, entre Record e até TV Brasil, pra ver a Sônia Braga quando estava passando “O Beijo da Mulher Aranha”. Sentia falta dela na TV. Novela das oito. Mais uma zapeada quem sabe para rever um pouco a reprise de Maria do Bairro. E para encerrar sua noite precisava assistir à estreia da nova série. Não tinha como entrar Netflix! Era impossível! Se sentiu meio tonta e apagou. Clara, quando viu sua mãe ali estendida, não entendeu nada.

_Mãe, a senhora não estava vendo TV?

_Estava sim… — respondeu ainda um tanto atordoada — mas perdi o controle.

_A senhora perdeu o controle? Teve algum ataque histérico?

_Não! Perdi o controle remoto enquanto estava vendo a Tatá Werneck. Perdi a estreia de SuperMax!

_Mas mamãe por que a senhora não mudou o canal na própria televisão?

_É, minha filha, acho que realmente perdi o controle.