Storytelling e engajamento: 4 lições de Cabras da Peste

Cabras da Peste estreou no Netflix já conquistando o Top 10 da plataforma. O sucesso do filme tem seus segredos e não se limita ao time de atores de peso que inclui o talentoso e querido Matheus Nachtergaele.

O filme reúne características importantes da técnica de storytelling que torna a história forte e cativante para um grande público.

Ainda que a produção do filme tenha problemas técnicos evidentes, eles não interferem em nada para o sucesso e a simpatia geral do filme com o público. Prova de que a história é mais importante para o espectador do que qualquer efeito especial.

Por isso trouxe 4 características que tornam Cabras da Peste uma história apaixonante para você aplicar no seu conteúdo e engajar sua audiência.

 1.   Empatia

Falar sobre empatia parece algo abstrato e batido. A necessidade de sermos empáticos em processos de inovação já virou quase um clichê, mas na prática o que vejo é que quase nunca isso acontece.

No geral as pessoas tendem a falar de si e dos seus gostos pessoais.

Empatia significa conhecer bem o seu público. Tão bem a ponto de você saber suas preferências, desejos, medos, dores e levar isso para o seu conteúdo de forma a se conectar.

Não se trata do livro que você leu e gostou, mas da história que se conecta com o seu público. Vejamos com Cabras da Peste.

O filme conhece seu público muito bem. Ele sabe que o gênero policial e filmes de lutas marciais estão no gosto popular e brinca com isso, fazendo piada com a estrutura do gênero.

Todo mundo sabe que personagem policial de verdade sempre se joga para salvar o companheiro em alguma cena. Trindade, o policial de escritório jamais fez isso, o que ajuda a gerar humor.

Além disso, quem nunca se sentiu subestimado no trabalho? Essa é uma questão que gera conexão com quase todo mundo.

Pense. Quais filmes, livros, músicas seu público gosta? Explore isso no seu conteúdo. Pense nas estruturas narrativas. Elas podem auxiliar inclusive na composição da forma do conteúdo.

 2.   Contraste

 O contraste é bem trabalhado em Cabras da Peste. Inspirado no estilo buddycop: tramas em que duas pessoas muito diferentes precisam trabalhar juntas para solucionar um problema, Trindade e Bruceuilis formam uma dupla atrapalhada no resgate da cabra Celestina.

Uma boa história sabe trabalhar o contraste para evidenciar características e gerar uma boa tensão no desenvolvimento dos conflitos.

Trindade, o policial de escritório, se idealiza como uma mente pensante, o cérebro da operação, mas é um desastre em operações no campo.

Bruceuilis é fera em artes marciais, mas na pacata Guará não há muito o que fazer:

“Isso é lá trabalho para um cabra preparado como eu?”

diz Bruce quando perde Celestina.

A dupla funciona muito bem para evidenciar o contraste entre o policial de verdade e o que não é, base do conflito da trama. E até mesmo, já como subtexto, os conflitos entre norte e o sul do país.

Tudo de forma leve, com um humor que não ofende ninguém.

Sempre pesquise: quais os conflitos vivido pelo seu público? Busque histórias que explorem essa tensão e trabalhe os contrates. Mas atenção nada de forçar a barra e ser apelativo. Com o storytelling sempre devemos trabalhar com sutileza.

 3.   Diversidade

Um ponto alto do filme para mim é como ele traz diferentes referências da comédia brasileira e faz essa mistura funcionar muito bem: atores e formatos narrativos como Porta dos Fundos, Choque de Cultura, além de artistas populares como Falcão e Rossicléia.

Todos eles dialogam e a história consegue se conectar com diferentes gerações e perfis. Inclusive inserindo críticas políticas, de forma muito sutil e inteligente.

Quando pensar na sua audiência esteja atento à diversidade e como você pode estruturar seu conteúdo de forma a comunicar com o conjunto.

 4.   Diálogo com boas referências

Um das principais referências da obra com certeza é “Um tira da pesada” com Eddy Murphy e o próprio diretor Vitor Brandt cita o filme como uma inspiração para sua comédia policial à brasileira.

Se o objetivo é engajar audiências, sempre devemos pensar: qual conteúdo fez isso e fez bem?

Então, partimos para dissecar a estrutura da narrativa de forma a entender o que pode funcionar para os nossos objetivos, assim como fiz aqui nesse texto com Cabras da Peste.

Se inspirar e aprender com boas histórias é nosso dever de casa.:)

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